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18 de Maio de 2021

Filosofia Medieval

Cláudia Mara de Almeida Rabelo Viegas, Professor
há 11 meses

Apostila de Filosofia

Unidade IV

Professora: Cláudia Mara de Almeida Rabelo Viegas[1]

UNIDADE IV – A FILOSOFIA MEDIEVAL

1. Introdução

A Filosofia Medieval a filosofia se desenvolveu na Europa durante a Idade Média (entre os séculos V e XV), período marcado por grande influência da Igreja Católica nas diversas áreas do conhecimento, os temas religiosos predominaram no campo filosófico.

2. Principais questões debatidas e analisadas pelos filósofos medievais

  • Relação entre razão e fé;
  • Existência e natureza de Deus;
  • Fronteiras entre o conhecimento e a liberdade humana;
  • Individualização das substâncias divisíveis e indivisíveis.

3. A Filosofia Patrística

Patrística é o nome dado ao período do pensamento cristão que se seguiu à época do novo testamento e chega até ao começo da Escolástica. Trata-se da filosofia cristã dos primeiros séculos, elaborada pelos Pais da Igreja e pelo escritores escolásticos, consiste na elaboração doutrinal das verdades de fé do Cristianismo e na sua defesa contra os ataques dos "pagãos" e contra as heresias.

Este período representa o pensamento dos Padres da Igreja, que são os construtores da Teologia Católica, guias e mestres da doutrina cristã.

A filosofia patrística consolida o cristianismo e luta pela sua conservação após as invasões bárbaras. Pacificada a sociedade europeia, as atividades culturais, presas aos mosteiros, florescem em outros espaços. Além das escolas monásticas, surgem escolas criadas pelas corporações de ofício e pelas municipalidades, sempre amparadas pela Igreja. A fusão dessas escolas leva à formação das universidades, maior criação da Idade Média.

A Patrística tem três períodos: antes de Agostinho, tempo de Agostinho e depois de Agostinho. Nesse último período, sistematizou-se a filosofia patrística. No período antes de Agostinho, os padres defendiam o cristianismo contra o paganismo, os padres defendiam a fé e deixam de lado a razão grega como mostrava a filosofia helênica.

Antes de Agostinho, temos três correntes filosóficas: platonismo judaico, platonismo cristão ou patrística e o platonismo pagão ou neoplatonismo. O platonismo cristão defendia a fé como ponto essencial e fundamental para a vivência da pessoa. Enquanto o platonismo judaico defendia a fé na realidade dos antepassados e a razão na realidade em que viviam e o platonismo pagão, defendia somente a razão. Neste período tivemos muitos filósofos, eis alguns: Fílon, platonismo judaico, Clemente de Alexandria, platonismo cristão, Orígenes, platonismo cristão, Plotino, platonismo pagão.

No período de Agostinho houve um crescimento, onde veremos mais à frente ao estudarmos o filósofo. Mas o crescimento do pensamento aconteceu pela descoberta de ser possível estudar filosofia com fé.

No pós-Agostinho, inicia-se uma batalha muito forte na defesa da fé e da razão. Perguntava-se: precisamos crer para entender? A fé seria importante para o conhecimento, averiguava-se a verdade religiosa e moral. Avaliava-se a necessidade de usar a razão para que a adesão à fé não fosse cega e meramente passiva: eis a importância da inteligência. Diziam que as verdades religiosas não podiam ser compreendidas a não ser pela fé.

A partir desse período, não houve mais filosofia sem se pensar na religião e na fé do povo, o porquê as pessoas acreditavam em algo superior e a esse algo, prestavam culto. Em linhas gerais, patrística é isso.

4. Principais estágios da Filosofia Medieval

a) Transição para o Mundo Cristão (século V e VI)

A maioria dos pensadores deste período defendia que a fé não deveria ficar subordinada a razão.

Entretanto, um importante filósofo cristão não seguiu este caminho. Santo Agostinho de Hipona (354 – 430) buscou a razão para justificar as crenças. Foi ele quem desenvolveu a ideia da interioridade, ou seja, o homem é dotado da consciência moral e do livre arbítrio.

b) Escolástica (século IX ao XIV)

A Escolástica foi um movimento que pretendia usar os conhecimentos greco-romanos para entender e explicar a revelação religiosa do cristianismo. As ideias dos filósofos gregos Platão e Aristóteles adquirem grande importância nesta fase.

Os teólogos e filósofos cristão começam a se preocupar em provar a existência da alma humana e de Deus. Para os filósofos escolásticos a Igreja possuía um importante papel de conduzir os seres humanos à salvação.

No século XII, os conhecimentos passam a ser debatidos, armazenados e transmitidos de forma mais eficiente com o surgimento de várias universidades na Europa.

Os principais representantes: Anselmo de Cantuária, Albertus Magnus, São Tomás de Aquino, John Duns Scotus e Guilherme de Ockham.

Nos primeiros séculos da Idade Média era chamado de scholasticus o professor de artes liberais e, depois, o docente de filosofia ou teologia que lecionava, primeiramente, nas escolas e nos conventos, depois, nas catedrais e, por fim, nas Universidades. Portanto, Escolástica no seu sentido literal significa filosofia da escola.

Contudo, a Escolástica não era uma filosofia autônoma, como por exemplo, a grega, pois, se destinava ao ensino religioso, à verificação do dogma. A Escolástica tem como função levar até aos homens a compreensão da verdade revelada nas escrituras sagradas, no Evangelho.

A Escolástica fazia o uso de algum outro método filosófico (neoplatônico ou aristotélico) com a finalidade de promover um exercício de racionalidade, que pretendia demonstrar a existência de verdade nas afirmações religiosas, promovendo a sua demonstração ou seu esclarecimento, na medida dos limites da compreensão humana. Constituía uma reserva de argumentos contra a incredulidade e contra as heresias.

Para cumprir essa função a Escolástica não se utiliza apenas da razão, mas apoia suas afirmações na tradição religiosa e na força das Auctoritas que são, como já se disse, as palavras sagradas contidas nas escrituras cristãs, além das decisões tomadas em concílios dos Bispos; as sententias de Padres da Igreja Católica e, até mesmo, fragmentos de ensinamentos de pensadores hebreus, árabes e até pagãos.

Portanto, pode-se conceituar a Escolástica como sendo uma filosofia que, utilizando-se do método racional (normalmente emprestado de outra escola filosófica), tem como função demonstrar, fundamentar, justificar e defender uma determinada tradição ou religião.

5. A relação entre a fé e a razão

A Idade Média inicia-se com a desorganização da vida política, econômica e social do Ocidente, agora transformado num mosaico de reinos bárbaros. Depois vieram as guerras, a fome e as grandes epidemias. O cristianismo propaga-se por diversos povos. A diminuição da atividade cultural transforma o homem comum num ser dominado por crenças e superstições.

O período medieval não foi, porém, a "Idade das Trevas", como se acreditava. A filosofia clássica sobrevive, confinada nos mosteiros religiosos. Sob a influência da Igreja, as especulações se concentram em questões filosófico-teológicas, tentando conciliar a fé e a razão. E é nesse esforço que Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino trazem à luz reflexões fundamentais para a história do pensamento cristão.

5.1. Santo Agostinho

Agostinho nasceu no ano de 354, em uma província do Império Romano ao norte da África chamada Numídia. Cidadão do Império recebeu educação típica romana e aos vinte anos foi para Roma, junto com sua companheira e os filhos.

Pouco tempo depois se mudou para Milão e trabalhou como professor. Inicialmente professou a fé cristã na vertente Maniqueísta, contudo, por influência de sua mãe e por decisão própria, aderiu à igreja ortodóxica. No ano de 387, Agostinho recebeu o sacramento do batismo por Ambrósio, outro expoente da ortodoxia cristã. Retornou, então, à África, já como membro da direção da igreja, e em 396 foi nomeado Bispo de Hipona, tendo permanecido nesta função até a sua morte em 430.

Sentiu-se despertado para a filosofia pela leitura de Cícero. Posteriormente, deixou-se influenciar pelo maniqueísmo, seita persa que afirmava ser o universo dominado por dois grandes princípios opostos, o bem e o mal, mantendo uma incessante luta entre si. Mais tarde, já insatisfeito como o maniqueísmo entrou em contato com o neoplatonismo (movimento filosófico do período greco-romano desenvolvido por pensadores inspirados em Platão), que, na época, tinha como característica o ceticismo. Cresceu e se aprofundou em Agostinho uma grande crise existencial, uma inquietação quase desesperada em busca de sentido para a vida. Foi nesse período crítico que ele se encontrou com Santo Ambrósio, bispo de Milão, sentindo-se extremamente atraído por suas pregações. Pouco tempo depois, converteu-se ao cristianismo.

Preocupava-se, principalmente, com a teologia cristã. Mesmo quando se ocupava de grandes questões filosóficas seu objetivo sempre era amalgamar os ensinamentos bíblicos com a herança filosófica da escola platônica. O problema sobre o qual se debruçou era de demonstrar que a onipotência de Deus e a criação do mundo, como descrita no livro do Gênese, seriam compatíveis.

Iniciou, então, uma distinção entre a noção judaica e cristã da criação do mundo, daquela que se encontrava na filosofia grega. Para os gregos, de qualquer tempo, a ideia de que o Universo pudesse ser criado a partir do nada parecia absurda. Se Deus criou o mundo deve-se concebê-lo como um construtor que ergue sua obra utilizando-se da matéria prima existente, de algo concreto e disponível para tal criação.

No entanto, na tradição judaico-cristã, Deus criou tanto os materiais para a obra quanto a própria obra. Esta ideia grega é o que passou a se chamar de panteísmo, ou seja, a ideia de que Deus e o próprio mundo e tudo o que nele se encontra. Esta ideia pode ser identificada com os movimentos inclinados ao misticismo, à ideia de que Deus e a natureza se confundem.

Agostinho, por sua vez, adota a figura do Antigo Testamento, de Deus que se encontra além da nossa compreensão, de Deus existir fora do mundo, do próprio universo, de Ser anterior a tudo, inexplicável. "Essa divindade é um espirito atemporal, não sujeito a causalidade nem ao desenvolvimento histórico”. (BERTAND, 2001, p.184).

Sua obra principal foi A cidade de Deus contra os pagãos, nela Agostinho defende a igreja contra a acusação de que a recusa dos cristãos em fazer oferendas aos deuses pagãos teria ocasionado o colapso do Império Romano e o saque de Roma. “Porque, se o cristianismo era verdadeiro, (esse novo) Deus não tinha defendido a cidade contra os godos?” (Morrison, 2006 p. 74) perguntavam os detratores da fé cristã ao que Agostinho respondeu que existem dois tipos de humanidade, “com dois tipos de interesses e energia, dois tipos de amor, habitando duas cidades” (MORRISON, 2006 p. 74):

[...] uma delas consiste naqueles que vivem segundo critérios humanos, a outra no que se submetem à vontade de Deus [...] Por duas cidades, entendo duas sociedades de seres humanos, uma das quais está predestinada a reinar com Deus por toda a eternidade, e a outra condenada a sofrer punições eternas com o demônio (Livro XV, 1) (MORRISON, 2006 p. 74).

Em suma, Roma caiu em razão dos vícios de seus próprios cidadãos que não estariam trilhando os caminhos de Deus. Faltava a Roma o verdadeiro senso de justiça que somente a aproximação com a palavra Divina garante. Uma sociedade digna deste nome compõe-se por seres racionais unidos em torno do amor.

Assim, o pensamento de Agostinho reflete, em grande parte, os principais passos de sua trajetória, que em resumo são:

Do maniqueísmo ficou uma concepção dualista, simbolizada pela luta entre o bem e o mal, a alma e o corpo. Neste sentido, dizia que o homem tem uma inclinação natural para o mal. Insistia em que já nascemos pecadores e somente um esforço consciente pode nos fazer superar essa deficiência? natural?. Considerando o mal como o afastamento de Deus, defendia a necessidade de uma intensa educação religiosa.

Do ceticismo ficou a permanente desconfiança nos dados dos sentidos, isto é, no conhecimento sensorial, conhecimento que nos apresenta uma multidão de seres mutáveis, flutuantes e transitórios.

Do neoplatonismo, Agostinho assimilou a concepção de que a verdade, como conhecimento eterno, deveria ser buscada intelectualmente no mundo as ideias.

Com o cristianismo, defendeu a via do autoconhecimento, o caminho da interioridade, como instrumento legítimo para a busca da verdade. Somente o íntimo de nossa alma, iluminada por Deus poderia atingir a verdade das coisas. Provoca, com isso, a submissão do espírito à matéria, equivalente à subordinação do eterno ao transitório, da essência à aparência.

Assim, a teoria agostiniana estabelece que todo conhecimento verdadeiro é o resultado de um processo de iluminação divina, que possibilita ao homem contemplar as ideias, arquétipos eternos de toda a realidade. Nesse tipo de conhecimento a própria luz divina não é vista, mas serve apenas para iluminar as ideias. Outro tipo seria aquele no qual o homem contempla a luz divina, olhando o próprio sol: a experiência mística.

Isso significa que, para Agostinho, a fé revela verdades ao homem de forma direta e intuitiva. Vem depois a razão esclarecendo aquilo que a fé já antecipou.

5.2.Tomás de Aquino

Diferentemente de Santo Agostinho, Tomás de Aquino viveu intensamente os conflitos intelectuais, típicos de sua época, que opunha o conhecimento pela razão, a teologia à filosofia, a crença na revelação bíblica às investigações dos filósofos gregos.

Inserida no movimento escolástico, a filosofia de Tomás de Aquino (o tomismo) já nasceu com objetivos claros: não contrariar a fé. De fato, a finalidade de sua filosofia era organizar um conjunto de argumentos para demonstrar e defender as revelações do cristianismo.

Tomás (1225-1274) era membro de uma família de nobres italianos (Condes de Aquino), sua base territorial encontra-se próxima ao Monte Cassino, na aldeia de Aquino, onde começou seus estudos. Já mais velho estudou por seis anos na Universidade de Nápoles. No ano de 1244 foi aceito na ordem dos Dominicanos e seguiu para Colônia (Alemanha) para continuar seus estudos e trabalhos espirituais. Em 1259, após passar por Paris e novamente por Colônia, volta à Itália e escreve sua obra mais importante: Suma contra os gentios. Em 1266 começou a escrever sua obra mais conhecida, a Suma teológica.

Tomás de Aquino tentou fundar a doutrina católica sobre as bases da filosofia de Aristóteles. Em que pesem as diferenças entre a doutrina aristotélica, especialmente a sua noção de Deus, e a doutrina cristã, o que se chamou de aristotelismo de Aquino tornou-se dominante de modo permanente e completo na Igreja Católica.

O tomismo tornou-se, então, a doutrina oficial da Igreja romana “e como tal é ensinado em todas as suas universidades e escolas” (BERTAND, 2001, p. 216). Nenhuma outra filosofia desfruta de tamanha importância nos dias atuais e de apoio tão importante como o da instituição da Igreja (exceção para o materialismo dialético, doutrina oficial do comunismo).

A filosofia tomista tem uma importância maior do ponto de vista histórico do que filosófico propriamente dito. Esta é atacada pelo fato de que as conclusões a que chega são impostas pelo dogma cristão. Tomás de Aquino não era um filósofo neutro, afastado do objeto da pesquisa, mas, ao contrário disto, era um filósofo engajado na doutrina cristã.

No sistema tomista há um dualismo edificante: razão e fé. São estas as duas fontes de conhecimento. A razão extrai da experiência dos sentidos os fundamentos para o pensamento. É bastante conhecida a fórmula escolástica que afirma que não existe nada no intelecto que não tenha sido primeiro uma experiência sensorial. Entretanto, há, também, a revelação, a palavra Divina, a fé, como fontes independentes de conhecimento. “Enquanto a razão produz o conhecimento racional, a revelação dá fé aos homens” (BERTAND, 2001, p. 218).

O tomismo pretende demonstrar que a fé é anterior à razão, ou seja, para que se possa buscar o conhecimento racional é necessário ter fé. O homem precisa acreditar na Palavra Divina antes de raciocinar, pois, embora pelo método racional se chegue à verdade, esta é, antes de tudo, uma revelação.

Contudo, na atualidade, sabemos que se deve conviver com esta posição de forma crítica, uma vez que as verdades da revelação são arbitrárias, embora Tomás de Aquino, à sua época, não visse conflito entre a filosofia e a teologia. O certo é que uma abala a outra, pois, “onde a razão pode enfrentar os fatos, a revelação é redundante, e vice-versa” (BERTAND, 2001, p. 219).

Resumindo:

Tomás de Aquino reviveu em grande parte o pensamento aristotélico com a finalidade de buscar nele os elementos racionais que explicassem os principais aspectos da fé cristã.

Retomando as ideias de Aristóteles sobre o ser e o saber, Tomás de Aquino enfatizou a importância da realidade sensorial. No processo de conhecimento dessa realidade, ressaltou uma série de princípios considerados básicos, dentre os quais de destacam:

  • Princípio da contradição: o ser é e não é. Não existe nada que possa ser e não ser ao mesmo tempo e sob o mesmo ponto de vista;
  • Princípio da substância: na existência dos seres podemos distinguir a substância (a essência propriamente dita) e o acidente (a qualidade não essencial, acessória do ser);
  • Princípio da causa eficiente: todos os seres que captamos pelos sentidos são seres contingentes, isto é, não possuem, em si próprios, a causa eficiente. Portanto, para existir, o ser contingente depende de outro ser que representa a sua causa eficiente: este outro ser é chamado de ser necessário;
  • Princípio da finalidade: todo ser contingente existe em função de uma finalidade, de um objetivo, de uma razão de ser. Enfim, todo ser contingente possui uma causa final;
  • Princípio do ato e da potência: todo ser contingente possui duas dimensões? O ato e a potência. O ato representa a existência atual do ser, aquilo que está realizado e determinado. A potência representa a capacidade real do ser, aquilo que não se realizou, mas pode realizar-se. È a passagem da potência para o ato que explica toda e qualquer mudança.

Segundo Santo Tomás a razão pode provar a existência de Deus por meio de cinco vias, todas de índole realista: considera-se algum aspecto da realidade dada pelos sentidos como o efeito do qual se procura a causa.

A primeira fundamenta-se na constatação de que no universo existe movimento. Baseado em Aristóteles, Santo Tomás considera que todo o movimento tem uma causa.

A segunda via diz respeito à ideia de causa em geral. Todas as coisas ou são causas ou são efeitos, não se podendo conceber que alguma coisa seja causa de si mesma.

A terceira via refere-se aos conceitos de necessidade e possibilidade. Todos os seres estão em permanente transformação, alguns sendo gerados, outros se corrompendo e deixando de existir.

A quarta via tomista para provar a existência de Deus é de índole platônica e baseia-se nos graus hierárquicos de perfeição observados nas coisas.

A quinta via fundamenta-se na ordem das coisas.

A distinção real ou ontológica entre essência e existência possibilitou a Tomás de Aquino refutar racionalmente e rejeitar como heréticas certas concepções correntes, na época, sobre dogmas da encarnação de Cristo e da Trindade.

A harmonização, no plano social e político, entre poder temporal e poder espiritual seria análoga à que Santo Tomás procura estabelecer entre filosofia e teologia, entre RAZÃO E FÉ.

Desse modo, podemos verificar os responsáveis pelo resgate cristão das filosofias de Platão e Aristóteles, respectivamente, Agostinho e Tomás de Aquino.

Referências Bibliográficas

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  1. Pós-doutora em Direito pela Universidade Federal da Bahia – UFBA. Doutora de Direito Privado pela PUC MINAS. Mestre em Direito Privado pela PUC MINAS. Professora de Direito Civil. Especialista em Direito Processual Civil pela Universidade Gama Filho. Especialista em Educação à distância pela PUC Minas. Especialista em Direito Público – Ciências Criminais pela Faculdade Professor Damásio de Jesus. Bacharel em Administração de Empresas e Direito pela Universidade FUMEC. Servidora Pública Federal do TRT/MG – Assistente. E-mail: claudiamaraviegas@yahoo.com.br.

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